Artigo: A Existência de Deus

Durante a minha feliz infância tive o prazer de desfrutar da amizade de uma infinidade de parceiros, com quem dividia os folguedos inumeráveis, que só uma criança, em sua pureza e espontaneidade, é capaz de criar. Volta-me à lembrança particularmente um deles, com quem a afinidade era mais visível. Tínhamos a idade de 14 anos exatos, quando a Apolo XI cumpriu a proeza de alcançar as planícies desérticas e áridas da superfície lunar. À época, vidrado em filmes de ficção científica, sentia-me profundamente emocionado com aquele ¨pequeno passo para o homem, grande passo para a humanidade. Acontece que, justamente nesse ponto, discordávamos, meu amigo e eu, acerca da fé no que ocorria. Para ele, aquilo era apenas um truque cinematográfico, tendo como cenário um deserto qualquer, ardentemente preparado para aquele fim.

Recordo que Yuri Gagarin, primeiro cosmonauta russo a passear na órbita da Terra, após reconhecer a beleza do nosso orbe, afirmando ser o mesmo azul, asseverava, ao retornar, que não vira a Deus.

A nossa visão de mundo assume o tamanho das nossas crenças. Muitos espíritos, armados de concessões preconceituosas, desafiam a própria lógica, no momento em que tiram conclusões, no mínimo, precipitada, não observando todo o conteúdo daquilo que desejam examinar.

Tal qual o meu dileto amigo de infância, não crendo na descida do homem na Lua, muito embora ciente da existência de Deus, ou como referido astronauta, negando a realidade de um Poder Criador, seguem inúmeras inteligências, inegavelmente capacitadas em suas respectivas áreas de trabalho, vendo no Universo tão somente Espaço em Movimento, como legítimos representantes de uma Lei que não teria sido escrita por ninguém.

Inegável é que todas as coisas obedecem a um principio de organização, que por sua vez, demonstra a presença de uma Harmonia, que não prescinde de uma Lei para existir. Onde e por quem teria sido urdida tal Lei, haja vista que desde épocas imemoriais, imensamente distante do intelecto humano, a ordem impera, no alinhamento do Caos?

Reza a Ciência que a expansão do Universo deveria convergir para o Caos e no entanto, vê-se exatamente o contrário, como se algo intrínseco aos átomos, imprimisse movimentos precisos, a conduzir para a Ordem, que impera sobre tudo o que existe.

Considerando apenas Matéria e Energia como os dois elementos fundamentais do Universo palpável, estaríamos perdidos num cipoal de dúvidas angustiantes, pois jamais encontraríamos respostas ao trâmite inteligente da natureza. Todavia, ao imaginarmos uma inteligência superior, suprindo com seu próprio hálito à organização dos elementos referidos acima, abre-se para a razão humana uma porta capaz de desvendar os mistérios ainda indecifráveis.

Por mais distante que coloquemos a origem do Universo, encontraremos sempre um principio e um poder causador de todos os efeitos observáveis.

Naturalmente que, encontrando-se em plena floresta uma Ferrari, último modelo, em local onde apenas residissem povos indígenas ainda isolados da civilização, jamais um homem lúcido atribuiria aos habitantes locais a construção de tal automóvel, senão que procuraria explicação para o surgimento do mesmo naquela região. Por outro lado, seria considerado louco, digno de camisa-de-força, o que em plena praça pública tentasse convencer todos que o relógio moderno que traria às mãos, havia surgido por forças das coisas, sem que uma inteligência o houvesse projetado e construído. É mais fácil construir uma Ferrari, um relógio ou o Universo?

Concluímos, nesse breve raciocínio que a existência de Deus é plenamente defensável e comprovável, a partir da observação dos fenômenos da Natureza. Todas as negações serão inócuas contra o argumento sólido dos fatos, que tudo obedece a uma direção Sábia, quer chamemos ou não de DEUS.

Autor: Fernando Caldas

Artigo: Caminhos

A Vida está ai para nos ensinar: há estradas inúmeras e de diversas naturezas. Há aquelas que já encontramos ao nascer, forjadas pelo pioneirismo dos que nos precederam; há aquelas que testemunhamos a sua construção, acompanhando passo a passo os seus lineamentos, há aquelas que terminam em abismos, obstaculando a continuidade da marcha; há aquelas que varam os precipícios, entrelaçando-se à ponte, para continuar além.

Estradas são pontos de passagem, ao encontro de alguma coisa, nem sempre disponível ao nosso conhecimento prévio; são lugares onde o esplendor ou a escuridão defenderão suas existências, na dependência dos olhares que os miram; são instâncias a convidarem os pés que se dignam a percorrê-las, para a essencial jornada do viver, enquanto caminham; podem se constituir em luzes de descobertas deslumbrantes ou em prelúdio de fracassos retumbantes; serão, todavia, para sempre, a experiência vivida e aprendida, na luz meridiana do dia ou no oculto negrume da noite.

De todas as estradas, uma há, mais importante de todas, aquela que construímos enquanto caminhamos.

Nas imprescindíveis paradas para a apreciação das paisagens é inevitável a introspecção. No balanço necessário das orações cometidas, desvendamos o enredo tecido com suores, lágrimas, obstinação, denodo, a fim de tirarmos as reflexões e ensaiarmos os próximos passos, escolhendo a direção a seguir.

Feridas e espinhos, tanto quanto bálsamos e flores, permeiam a nossa jornada, seja ela individual ou coletiva.

A sabedoria oriental, já nos norteava a agir tal qual o sândalo, que perfuma o machado que o fere. Ensina-nos também a insculpir na pedra, todos os benefícios provindos do ser solidário e a inscrever sobre a terra as ferroadas pungentes que os incautos nos infligiram, amargurando nossas almas.

Continua abraçando a causa que achas justa ao teu coração. Nada pode abalar o caminho daquele que age movido pela convicção do servir. ¨Tudo serve, tudo se encadeia¨, em nosso processo ascensional. Cada detalhe talha-nos a alma, na oficina da vida.

É preciso seguir estradas, sobretudo as que nos encaminham ao encontro conosco próprio. Mas se há várias estradas, há apenas um caminho, onde todas se fundirão um dia, pois somente Ele será capaz de nos levar ao mais importante objetivo das nossas existências, o Pai Celestial. Em Jesus, o caminho do Amor Incondicional.

Autor: Fernando Caldas

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